o tempo,
só se perde por quem não se ama.
e a distância,
só deixa longe a quem não se sente perto.
e eu,
ser-te-ei sempre perto.
e contigo,
nunca será tempo perdido.
segunda-feira, 26 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
podes não ser o homem mais bonito do mundo, mas és a melhor pessoa que tive, e a melhor que alguma vez terei.
neste momento és o que tenho, porque para já... não tenho grande coisa. mas tenho isto que eu e tu temos, e isto é grande.
toda a vida perdi coisas importantes, pessoas que gostava e não quero que isso aconteça contigo. és demasiado bom para te deixar ir sem que, se tal acontecesse, ficasse a pensar que não aproveitei o mais que pude, contigo, de ti. mas se realmente ficares a meu lado, e o que nós temos for um verídico para sempre, permite-me relembrar-te, sempre, que és bom, que és demais, que és o melhor que tenho.
♥
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que eu quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Teixeira de Pascoaes meteu-se num navio para ir atrás de uma rapariga inglesa com quem nunca tinha falado. Estava apaixonado, foi parar a Liverpool. Quando finalmente conseguiu falar com ela, arrependeu-se. Quem é que hoje é capaz de se apaixonar assim? Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornam-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-socio-bio-ecológica da camaradagem. A paixão que devia ser desmedida é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão pratica. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas e cantina, malta do "ta bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananoídes, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da turtuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Por onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para se perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lã quem se ama, não é ela que nos acompanha - É o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa e o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso, in Expresso
como tu me compreendes ♥
segunda-feira, 23 de maio de 2011

em noites, numa noite, encontrei a mais bela da ostra e dei-me como sua pérola encontrada no fundo de um oceano pouco profundo, mais que vasto, mas pouco de água de rosas, pouco de corais, pouco de recifes e encantos.
não me soubeste a pouco, nem tanto quanto muito. saboreei-te e cresci-me dentro de ti para ti, reluzente eu, pérola.
confusões de nascimentos e recriações de artes, de emoções, de desilusões. ões que colhões poucos tiveste, que tão pouco os tinhas, que tão pouco não os saboreei.
suja, pérola, suja! imunda.
domingo, 1 de maio de 2011
mudanças, a vida é feita delas. nunca esperei que a minha mudasse tanto.
não somos perfeitas, somos horríveis, nunca haveremos alguma vez de ter a relação ideal de mãe - filha, eu sei disso e entendo-o. não te vou dar a parte fraca assim como não me dás a tua, nunca dás o braço a torcer e não esperes ser eu a fazê-lo. acontecimentos alteraram a minha vida com toda a força que tinham e dei uma volta de 360º. não foi fácil, não me facilitaram em nada mas tornaram-me mais forte. quando me perguntam o porquê de ser assim, deviam olhar para a vossa ingenuidade, e eu falo contigo mãe, mas a tua ignorância irrita-me. tu irritas-me com todas as palavras que não medes da boca para fora, e eu tenho o maior desejo de sair de ao pé vocês e o maior medo de vos perder, de te perder. também te digo já que não esperes algum dia ouvir isto da minha boca, não esperes um abraço de desculpas por tudo o que fiz e não fiz. nunca o fizeste, disseste, ou mesmo admitiste.
demasiadas coisas acontecerem à minha frente sem um senão, sem pensares o quão me marcariam, e foram demasiadas as vezes. sem dúvida alguma te digo que te amo, sem dúvida alguma digo que és minha mãe, que és mãe, mas com todas as certezas te digo que em nada me ajudaste, nunca ouve uma palavra de reconforto ou de agradecimento. talvez mereça muitas das coisas que me fazes, mas magoas-me mais que ninguém.
sinto falta da mãe da minha infância, aquela que não me lembro, mas que em fotografias assenta perfeitamente naquilo que idealizei para ti, aquela com quem provavelmente teria esta conversa que imaginei dentro deste quadrado branco em que escrevo, ao lado do cubículo onde estás, sabendo que não irás ler estas minhas palavras.
e desculpa não ser a filha perfeita, também não o és. desculpa não mostrar assim tanto quanto isso o quanto és importante para mim, o facto, é que és. feliz dia da mãe.
quinta-feira, 7 de abril de 2011

encontrei-me naquele sítio a que já devia estar habituada. tal não se sucede. paredes esquálidas; chão sujo, menos que eu; flores murchas e uma lareira apagada. uns quantos galhos, umas quantas aranhas. tal a deprimência, tão grande a frustração, tão grande o nojo, tão grande quanto o não consigo imaginar. cheiro o desgaste e sinto-me o sorriso, cínico de quem não o quer, enquanto vejo o odor a cadáver, que sobe e desce, que não sai nem desaparece. é de mim, é da casa. estou bem aqui. sóbrio, sombrio. está morto, tudo morto.
quando diziam que o mundo é a preto e branco para quem o consegue ver, negava-o. pretérito imperfeito, tão imperfeito que se torna mais-que-perfeito. muito mais, só porque sim.
porque o negara, já não nego.
segunda-feira, 28 de março de 2011

não existe certo ou errado, é mentira quando te dizem que tens escolha.
erro em tudo o que tenho e não tenho, pelo que tanto quis ou não pude escolher. perdi noções de tempo, de loucura, de amor. morri de amor.
gostava de estar com ele. apenas isso, bastava. já não basta.
esqueceste-me algures no passado, perdi-me então no futuro. insignificância do presente.
gostava de estar com ele. apenas isso, bastava. já não basta.
esqueceste-me algures no passado, perdi-me então no futuro. insignificância do presente.
num dia, mero dia, qualquer dia - dá-me espaço - para mais uma vez ganhar noções, de tempo, de loucura, de amor.
vou embora.
para onde?
para longe do teu caminho.
cansaste-te de andar a meu lado?
não, cansei-me de andar sozinha.
para onde?
para longe do teu caminho.
cansaste-te de andar a meu lado?
não, cansei-me de andar sozinha.
domingo, 20 de março de 2011
antes de te partires, parti-me eu. reluzente cristal, admirava-te e desejava-te, tão ardentemente que me tornava frágil e outrora tão gélida que ninguém me ousou pegar. ansiava pelo dia que me enchesses, queria saber-te a doçura ou a acidez, poder sentir-te dentro de mim e com o passar do tempo, dos anos, conhecer o teu melhor, nada de pior... apenas o teu melhor. mas anos se passaram, fiz a minha introspecção e concluí, não por te saber, não por de te alguma maneira saborear, que eras sobejo para mim, que cristal não te basta, que eu não te basto. parti-me, partiste-te.
agora sou cacos, que não reluzem, tenho pó, e mais uma vez - assim como ninguém me encheu -ninguém me fará resplandecer. suprimiu-se-me o valor e vendeu-se-me a alma ao diabo, se é que a tive.
quarta-feira, 16 de março de 2011

credo. as saudades que de ti tenho. pus-me a lembrar e sabes como é a memória, apanha-nos sempre desprevenidos... e lembrei-me de coisas, mulher.
tu lembras-te? de quando lias para mim? eu gostava e nunca te disse, mas eu gostava mesmo. tens uma voz doce e embalavas-me. adorava olhar para os teus lábios enquanto dizias os l's daquela tua maneira, enquanto ternurosamente soletravas cada palavra seguida de um humedecer dos lábios. e os teus lábios? também me lembro deles, hão-de sempre ser, os melhores lábios que alguma vez beijei... sinto falta deles. e continuo a pensar, naquilo que perdi pela minha ignorância, no melhor que tive, e que perdi. acho que só agora terminei o Nosso raciocínio "porquê que não me olhas nos olhos", lembras-te? eu acho que foi porque... porque nunca quis ver o que tinha, o quão belo era o que tinha, e que agora vejo, que agora não tenho. - estou com sede, mata-me esta sede de te ter. - sinto falta daquela impressão que me deixavas na barriga sempre que te via entrar pela porta com, ora olhos reluzentes ora olhos zangados, significavam sempre alguma coisa mais, deixavam-me sempre nervoso. quero dormir a teu lado, também preciso disso, deixa-me pegar em ti, deixa-me falar-te ao ouvido - dizer-te que te desejo - agarra-me! beija-me! abraça-me! cruza o teu corpo no meu, deixa-me ouvir o 'shlap shlap'. hoje sou teu, amanhã és minha. puderá ser? cansemo-nos de prazer, adormece sobre mim.
negas-me a vontade, negas-me o desejo, não me queres, já não és minha. e eu, ainda hoje sou teu.
o teu nome, ainda murmura no silêncio do meu coração.
terça-feira, 1 de março de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

penso e desmoralizo enquanto desvaneço e protagonizo um papel que nunca escolhi. nunca me foi imposta a condição de escolha, é assim, sempre foi, sempre será. o tempo passa e continuo interpretando o meu papel de flor que não murcha, que não tem falta de água e muito menos de ar. cresço com outras flores, uma morrem outras nascem, ciclo da vida… tu ou ficas ou pões-te a andar. andas, ando, acabo num vaso de flores bem estimado no parapeito de uma janela qualquer, 2ºandar julgo eu. dizem-me bom dia, afagam-me, dão-me água e tenho ar, tenho tudo e faltam-me raízes, um paradoxo, não sei como vives flor, não sei como vivo. trato os meus problemas com a tua fotossíntese, o sol brilha-me todos os dias e sinto-me bem, a lua põe-se todas as noites e fico mal. passa-se o tempo e tempo não me sobra, passa-se o tempo e a peça está cada vez mais perto do fim, passa-se o tempo e continuo longe de mim. então fica-te sol e trata os meus problemas, aquece-me, dá-me brilho e não deixes vir a lua, fico mal, sempre mal. quando deixar de ser flor, vou esperar continuar no parapeito da tal janela, 2º andar julgo eu, e vou continuar a ouvir “bom dia”, e vou ter água e ar e vou brilhar, ao sol. miminho.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Um dia normal, como tantos outros aqueles que acordou, meio-dia, como se um mundo não estivesse lá fora, levantou-se e manteve-se por casa - home sweet home não é assim - sem fazer um nada simplesmente arrastou os pés pelo chão e fez o que de melhor sabe, ou não sabe, não interessa. Maria se chamava.
Perdida em cobertores, enrolada nas suas vestes XXL que por acaso devem ser uns quantos tamanhos acima daqueles que veste, pormenores aos quais, claramente, não liga, permanece no seu mundo interior. Almoçada, de pança cheia estende-se aconchegada no seu sofá - lontra. No seu meio êxtase que tem durante Californication (série engraçada), mete-se de pé e e arrasta-se novamente até à sua varanda, como se compensasse o facto de que, não vai sair de casa, breve ilusão.
"Está sol" - pensou. Sentou-se com o portátil em cima da suas pernas, acendeu um cigarro - tão clichê, não fora ela feita de outra coisa senão de pequenos clichês, falta-lhe o café ou o chá do dia, falta-lhe alguém ao lado mas isso faz parte, novamente, de coisas insignificantes aos quais já está habituada quando se encontra por casa.
Observadora, olha em redor, bela vista bela merda. Em frente um prado verde, uma cabra e um velho a cavar a sua horta. Lindo, lindo! Atrás, uma janela, uma cama - um quarto.Perfeito! Para quem se rege pela lei do menor esforço, não se pode queixar. E por falar em lei do menor esforço, Maria, faltou às aulas, mais uma vez, tanta vez, para juntar às outras tantas.
Seria sexta-feira, para ela um domingo... pormenor desinteressante - "Um dia normal, como tantos outros aqueles que acordou" - porque toda a gente acorda, não faria sentido viver a vida a dormir, embora possa sim ser mais interessante, ou pelo menos mais fácil, feliz e claro abundante em sonhos (queira Deus que não hajam pesadelos). Mas sabes que mais, Maria? Não digo, ou digo.
Tanto te critico que acabo de reparar,
o meu dia,
está a ser,
ironicamente,
igual,
ao teu.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Senti-me invadida, percorreu-se-me pelas veias, infiltrou-se nas entranhas - felicidade! - o sangue já não o é, eu não sangro, o meu coração já não palpita, salta.
Isto, passou-se por três meras horas do meu longo dia, das longas vinte e quatro horas, uns insignificantes doze e meio por cento daquilo que poderia ser cem, se... Um "se" relativo. Poderei alguma vez, algum dia, sentir-me ínfima daquilo que não tenho, não completamente, não intensamente?
Tenho dois mundos, sou duas de mim, sou de extremos, sou tudo aquilo que abomino e sou eu! Paradoxo ou não, é inerente, é um nada à mente alheia. É o meu conflito pessoal, suponho que todos temos um, ou não. Não quero fazer de mim um Fernando Pessoa, queria mais um Alberto Caeiro, queria alguém que não olha ao passado, alguém que não pensa no futuro, alguém que no presente não se limita a ver a vida a passar e contemplá-la, quero vivê-la, como se não houvesse amanhã! Quero um carpe diem cheio de vitalidade e um karma mais que equilibrado. Quero um amor platónico e uma utopia. Tantos quereres para uma pessoa só, é egoísta da minha parte. Não quero. - Já me estou a contradizer, que ninguém repare. - Espero e desespero, que atonia. Também já me fartei, não quero, não isto, ninguém quer isto e não o desejo a ninguém.
Desculpa. Peço a quem, a mim ou... merda!
Acredito nos signos, sou balança com orgulho, tenho também escorpião pelo meio (fode-me o esquema todo, juro que fode), coincidência ou não, o horóscopo acerta sempre na mouche, as características são-me naturais, é como as estrelas. Esta noite, não há estrelas. Esta noite elas morreram e deve ser por isso - só pode ser por isso - que a minha noite está, naturalmente morta. (Não é.)
Matem essa nebulosidade que as estrelas da minha varanda, querem renascer. (Pronta para viver.)
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Calmantes. Não deveria ela ter mais nada a dizer senão somente a sua incrível necessidade destes pequenos e milagrosos comprimidos para lhe reduzirem a sua ira, muito provável de uma extra carga hormonal. Quero lá eu saber - pior que uma grávida, pior que uma mulher na menopausa - deve estar. Dou por ela a perguntar-se qual a razão que a leva a gritar com tudo e com todos por tudo e por nada. Não há razão. Pessoas e coisas, irritam-na. Leu no horóscopo que este mês tinha de ter cuidado com o que diz. Terão acertado? Talvez... na mouche.
Insuportável, aquela mulher anda insuportável! Já nem passo pela mesma divisão que ela só com medo de que me mate, com os olhos! Por isso peço, calmantes! Dêem-lhe sono, não a deixem falar, por mim, até podia nem se mexer nos próximos meses, era da maneira que não comia e emagrecia, está um pouco fora de forma, mas nem nos meus sonhos mais próximos me atreveria a tocar nesse assunto, era decapitado (sim, eu tenho um pressentimento que ela ou me quer matar, ou já o anda a fazer, de alguma estranha forma mental, é amor). Eu preciso de paz, os meus cabelos já são brancos aos trinta e quatro anos e já não dão para tanta coisa, a minha vontade de me deitar ao lado dela... nem digo. Adoro acordar e olhá-la de soslaio (merda de paradoxo), mas só de soslaio... quando ela acorda, tem os mais bonitos lábios e olhos verdes, mas berra-me logo "o quê que estás a olhar!?" e aí eu penso "merda de mulher, é mesmo bonita!".
Eu não a suporto, mas no fundo, não sou nada sem ela. Ela, eu sei que quer os calmantes por mim... eu, sei que quero ela morta, viva, vegetal ou não, eu hei-de sempre querer ela.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Farta, farta de sentir esta ebulição, estou situada naquele ponto que necessito de me evaporar, estou quente e tudo menos estática. A minha vontade de liberdade é infinita.
Sangue borbulha-me pelas veias, os meus olhos encarnados transparecem a minha raiva e o meu desalento. Fazem-me ver a vida pelas costas. Costas, tão carregadas, tão marcadas... são tantas as cicatrizes, é tanta a dor. Não me perdoa, tu não me perdoas e eu não perdoo. Pudesse eu espetar-te um garfo, cortar-te com uma faca e comer-te, aos pedacinhos bem pequenos e saboreá-los só para me regozijar, sentir-me rainha e tu um peão que comi algures pelo meio do jogo. Vou acabar com o meu rei contra o teu, vou-te fazer xeque-mate, e mate-te quem puder que eu não consigo, e eu vou-me evaporar, e vou-me daqui com o vento, e vou em direcção à liberdade infinita.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mataram-me. Reencarnei como animal, como o teu querido, animal.
Vagueio pela tua casa e tu olhas-me nos olhos e nem me reconheces. Ignorante. Deste-me o nome de Aci, és tão enigmático, são as três últimas letras do meu nome ao inverso, quererá isso dizer alguma coisa, que ainda pensas em mim? Talvez.
Ainda bem que não sou gato, são sete as vezes que teria de me matar para que me acabe esta tortura - tortura sim! - sinto o cheiro a esse perfume rasco a milhas de distância, oiço os orgasmos fingidos de uma a uma que levas até tua casa, escuto as conversas fúteis e banais que tens ao telefone e pensas o quê, que é fácil!? Não, é tortura. Fosse a minha mentalidade de cadela um pouco mais desenvolvida, aprendesse eu a falar, ou até a escrever, bastava-me. Mas não, limito-me a ladrar e fazer aquelas choraminguices caninas que nem ligas! Eu que não acreditava na reencarnação, foi a paga, é o karma... tem sempre de nos fazer pagar. E eu que não sei como me matar? Precisava que me matasses, mas és egoísta! Não me vês! Porque ficaste comigo? Na tua vida de universitário ocupado com álcool e fornicanços de meia hora, porque decidiste enfiar a merda duma cadela dentro do teu nojento cubículo e essa tinha de ser logo eu!? Eu que não tive a culpa de me terem morto, eu que tanto gostei de ti e que tu a mim sempre me trataste como o que agora sou, uma cadela. Puta de ironia, puta de destino. E ainda dizem que a vida é justa? E eu, que não acreditava na reencarnação... e eu, que acreditava no karma?
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